Mark Weisbrot
Folha de São Paulo (Brazil), 8 de outubro, 2010
Em inglês

No Brasil, como nos Estados Unidos, a maioria das pessoas não vota para presidente com base em questões de política externa. Mas o resultado ainda assim importa, ocasionalmente, para o restante do mundo como quando o presidente George W. Bush foi declarado vencedor na eleição de 2000 e subsequentemente iniciou duas guerras destrutivas, dispendiosas e desnecessárias.

Não resta dúvida de que Lula mudou a política externa brasileira e se uniu aos demais líderes de esquerda latino-americanos para produzir mudanças históricas na região.

A América do Sul, de modo especial, se tornou mais independente do que em qualquer momento do passado. Essas mudanças foram tão profundas que mesmo um governo de direita como o da Colômbia se vê cada vez mais inclinado a aderir aos demais países sul-americanos com respeito às questões regionais a despeito de sua dependência quanto às centenas de milhões de dólares em assistência norte-americana.

Quando o governo de Honduras foi derrubado pelos militares em 2009, a América do Sul foi unânime em pedir a volta imediata e incondicional do presidente Zelaya ao cargo.

Washington, em contraste, fez tudo que podia para apoiar o governo golpista de Honduras e para legitimar a administração civil que o sucedeu. O governo Obama -que não alterou as políticas da era Bush para a América Latina- vem mantendo uma estratégia simples de postergar.

O objetivo é reconquistar o poder e a influência perdidos. Não é coincidência que seus únicos aliados latino-americanos sejam governos de direita porque foram os governos de esquerda que lideraram o bem sucedido movimento de independência da década passada.

José Serra criticou Lula pela postura de seu governo quanto a Honduras, e criticou outros governos de esquerda, como o da Bolívia, por meio de acusações dúbias como a de "cumplicidade" com o tráfico de drogas. Também criticou Lula por seus esforços de mediação na disputa entre Washington e o Irã, e no Oriente Médio em termos mais amplos. Dilma Rousseff, em contraste, indicou que manteria a política externa independente de Lula.

Portanto, a eleição é muito importante para a região e para o mundo. Lula incorreu na ira do aparelho de política externa de Washington quando, em companhia da Turquia, seu governo ajudou a negociar um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã, em maio.
Tom Friedman, o sabe-tudo do "New York Times", classificou esses esforços como "vergonhosos" e "feios de se ver".

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, definiu a abordagem como "uma trama transparente para evitar ação pelo Conselho de Segurança".

Não resta dúvida quanto a quem essas pessoas todas prefeririam ver vitorioso na corrida presidencial brasileira, ainda que sejam em geral espertas o bastante para manter o silêncio quanto a isso.

Mas o governo de Lula estava tentando evitar ainda outra guerra desnecessária no Irã, algo que o mundo precisa desesperadamente conseguir. A política do PT quanto à promoção da integração política regional também favorece muito a paz e estabilidade na região.
Os esforços de reconciliação em curso entre a Colômbia e seus vizinhos são estimulados em parte pelos bilhões de dólares em comércio entre esses países, especialmente Colômbia e Venezuela. O mundo aguarda ansiosamente a escolha dos eleitores brasileiros, que ecoará bem além das fronteiras de seu país.

Mark Weisbrot é codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington. Também é presidente da Just Foreign Policy.

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