Jake Johnston
The Intercept, 27 de novembro, 2017

Ver o artigo original

In English

O ministro da Segurança de Honduras, Julián Pacheco Tinoco, que esteve intimamente envolvido no golpe de 2009, tem estreitas relações com o tráfico de drogas, conforme testemunhou à justiça americana um ex-traficante mexicano que se tornou informante da agência americana de combate às drogas (Drug Enforcement Administration, DEA).

Em novembro de 2016, enquanto todas as atenções estavam voltadas para a surpreendente eleição de Donald Trump, dois sobrinhos do presidente venezuelano Nicolás Maduro foram condenados por tráfico de drogas. A condenação representou mais uma vitória para os promotores americanos que tinham o governo venezuelano como alvo em investigações sobre corrupção e tráfico de drogas.

Entretanto, no tribunal do sul da Flórida, o testemunho de José Santos Peña também comprometia Julián Pacheco Tinoco, militar hondurenho com relações de longa data com órgãos de segurança dos EUA.

Perguntado por um dos promotores sobre um encontro em Honduras, alguns anos antes, com o atual ministro da Segurança do país, na época chefe de Inteligência Militar, o informante respondeu que o encontro era para “que ele me ajudasse a receber carregamentos vindos da Colômbia para Honduras em navios”.

“Que tipo de carregamentos?”, perguntou o promotor.

“Cocaína,” esclareceu o informante.

De acordo com a acusação, um dos réus no caso havia apagado registros de conversas de seu celular e informação de contato com o nome de Pacheco Tinoco. A alegação de que a autoridade de segurança de alta patente de um dos aliados mais próximos dos EUA estaria envolvida com o narcotráfico foi recebida com indiferença em Washington. Nenhum veículo da grande imprensa mencionou as declarações do informante da DEA.

Em março de 2017, em um tribunal de Nova York, o nome de Pacheco Tinoco veio novamente à tona. Na ocasião, foram revelados mais detalhes sobre suposto envolvimento dele e de outras autoridades governamentais com o tráfico de drogas.

Pacheco Tinoco permanece ministro da Segurança, à frente de toda a força policial nacional de Honduras. É um dos atores mais relevantes no processo de cooperação de segurança e de combate ao narcotráfico entre EUA e Honduras, que conta com o apoio de milhões de dólares do governo americano.

Em declaração por e-mail, Tim Rieser, assessor de política externa do senador Patrick Leahy (do Partido Democrata de Vermont), disse que o congressista estava preocupado com as alegações, mas que era necessário levantar mais provas. Leahy “acredita que o Departamento de Estado [dos EUA] deveria examinar atentamente esse assunto, pois o Ministro da Segurança precisa ser alguém com integridade inabalável”, escreveu Rieser.

Devido à ameaça de cortes no financiamento para Honduras por parte de membros do Congresso – incluindo Leahy –,  Pacheco esteve na capital Washington no início deste mês. Não foi a primeira vez que ele fez uma viagem para resguardar a relação entre os EUA e Honduras.

A ligação de Pacheco com os Estados Unidos remonta a décadas. Como cadete, aos 21 anos de idade, Pacheco Tinoco viajou para a Escola das Américas, na base militar de Fort Benning, na Geórgia. Em setembro de 1979, ele se formou em um curso de táticas de combate à insurgência.

Com a eleição de Ronald Reagan, no ano seguinte, Honduras ganhou novo protagonismo como aliado dos EUA e como base para as operações secretas de apoio do governo americano a grupos contrarrevolucionários de direita na Nicarágua, os contras. O apoio militar dos EUA ao país disparou, assim como o número de denúncias de que as Forças Armadas de Honduras tinham relação com o tráfico de drogas e com o desaparecimento de dezenas de ativistas políticos. A grande maioria dos diplomatas americanos fez vista grossa.

Na primavera de 1986, no auge dos esforços americanos durante a Guerra Fria na América Central, Pacheco Tinoco voltou à Escola das Américas. Já promovido a tenente, graduou-se no curso de operações psicológicas.

Após a queda do muro de Berlim, o Pentágono mudou seu foco na América Central e se voltou para a “Guerra às Drogas”.

Em abril de 1988, o traficante mais procurado de Honduras na época, Juan Ramón Matta Ballesteros, foi preso e enviado para os Estados Unidos. Interlocutor chave entre o Cartel de Medellin, na Colômbia, e traficantes no México, Ballesteros havia comprometido a reputação dos mais altos escalões das Forças Armadas e do governo hondurenho. Ele também havia sido aliado dos EUA e era dono de uma companhia aérea, ligada à Agência de Inteligência Americana (CIA), para transportar armamento para os contras na Nicarágua, ao sul, e enviar drogas para o norte.

A Constituição de Honduras barrou a extradição, mas, com a ajuda de integrantes corruptos das Forças Armadas hondurenhas, agentes americanos conseguiram Matta Ballesteros. Ele foi levado para a República Dominicana, onde foi oficialmente entregue às autoridades dos EUA. Os militares hondurenhos que participaram da rendição foram condenados criminalmente mais tarde em seu país de origem.

Um ano depois do episódio, os EUA invadiram o Panamá, traindo um antigo aliado envolvido com tráfico de drogas, o General Manuel Noriega. Noriega foi chefe da inteligência militar antes de se tornar presidente e havia sido “nosso homem no Panamá”, recebendo pagamentos regulares por parte do governo americano durante décadas. Pouco importavam os antecedentes criminais, qualquer um poderia ser um aliado dos EUA. Isto é, até deixar de ser.

A mudança de prioridades dos EUA, a diminuição do financiamento e a prisão de Matta Bellesteros deixaram as Forças Armadas hondurenhas em segundo plano. Pelo menos, por um tempo. Em junho de 2009, um golpe militar destituiu o presidente eleito de esquerda, Manuel Zelaya, e o mandou para a Costa Rica de pijamas.

Com as relações postas à prova e a suspensão temporária de assistência americana para a área de segurança, o coronel Julián Pacheco Tinoco foi enviado a Washington pelo chefe das Forças Armadas hondurenhas. Sua missão era convencer os Estados Unidos de que os militares de Honduras agiram adequadamente e que não houvera golpe.

Ele se encontrou com autoridades do Departamento de Estado no restaurante Old Ebbitt Grill, próximo à Casa Branca, e com representantes do Congresso na Capitol Hill. Também esteve com um general reformado que dirigia o Centro de Estudos de Defesa Hemisférica do Pentágono, e que supostamente facilitou as reuniões para Pacheco Tinoco.

A manutenção da relação era de interesse geoestratégico para ambos os militares.

Em setembro daquele ano, quando Zelaya voltou clandestinamente à Honduras e se refugiou na Embaixada do Brasil, diplomatas americanos intervieram para garantir que Pacheco Tinoco seria o “ponto chave de contato”.

Zelaya não voltou ao cargo. Em novembro daquele ano, os Estados Unidos acabaram apoiando eleições controversas, que estavam sendo boicotadas por grupos oposicionistas e consideradas ilegítimas pela maioria dos governos da região. Com a eleição, o golpe foi consolidado e os militares hondurenhos recuperaram a proeminência política. O presidente eleito foi Porfírio “Pepe” Lobo, do Partido Nacional, com fortes e históricos laços com os militares. Pacheco Tinoco foi nomeado diretor de Inteligência das Forças Armadas.

Os líderes mais relevantes do golpe foram retirados de cena e “em geral”, escreveu o embaixador americano, “oficiais respeitados foram promovidos a posições importantes”. A reestruturação permitiria que “os EUA iniciassem um processo cauteloso de reengajamento com as Forças Armadas hondurenhas”, informou o embaixador a Washington e a agências de inteligência.

Desde então, não pararam de surgir indícios de ligações de oficiais hondurenhos com o tráfico de drogas. Em 2015, o filho de Pepe Lobo, Fabio, foi detido no Haiti e rapidamente enviado para os EUA. Para prender Fabio, promotores norte-americanos contaram com o trabalho de Santos Peña, o informante mexicano da DEA. No fim de 2013, Devis Leonel Rivera Maradiaga, o infame líder hondurenho da organização criminosa Cachiros, já procurara na surdina a DEA e começara a cooperar com a agência.

No início de março de 2017, Maradiaga testemunhou no julgamento de Fabio. Ele contou no tribunal que pagou propinas a Pepe Lobo durante a campanha à presidência, em 2009. Também descreveu um encontro com Pepe, Fabio e outros na residência do presidente.

“[Pepe] disse que não havia com que se preocupar”, testemunhou Maradiaga, “que, se algo acontecesse, deveríamos falar com Juan Gómez, que Juan Gómez falaria com [Fabio Lobo], e então [Fabio Lobo] entraria em contato com o general Pacheco Tinoco”.

Antes de ser assassinado em 2015, Gómez foi governador de Colón, um departamento na zona rural de Honduras, onde se concentra o negócio de tráfico de drogas da Cachiros. Em meados de 2000, quando o negócio começou a prosperar, Pacheco liderou um batalhão alocado na região. Ele e Gómez encontravam-se quase toda a semana. Em um desses encontros, Fabio ligou para Pacheco da casa do pai e lhe disse que passasse lá mais tarde, de acordo com Maradiaga.

Maradiaga e Fabio estreitaram relações. Maradiaga contou aos promotores que considerava Fabio um membro da Cachiros. No inverno de 2013, pouco antes de começar a cooperar com a DEA, Maradiaga contou a Fabio sobre um carregamento que estava para chegar com mais de uma tonelada de cocaína. “Sabia que, se ele estivesse comigo, tudo daria certo e me sentiria mais seguro ao lado do filho do presidente”, disse ele em seu testemunho. Acompanhado de um pequeno grupo de policiais militares, Fabio foi para Tocoa, em Colón, para receber o carregamento.

Maradiaga alega ter pago a Fabio US$ 50 mil. “Ele perguntou se eu poderia pagar um pouco a mais porque tinha que dar dinheiro ao patrão, e eu sabia de quem ele estava falando”, testemunhou Maradiaga. O patrão era o “general Pacheco,” contou.

Em junho de 2014, Fabio e Maradiaga se encontraram em uma oficina de automóveis em San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras. Um carro branco da marca Hummer estava na oficina, e Maradiaga insinuou que seria o presente perfeito para um de seus amigos policiais. De acordo com o relato de Maradiaga, Fabio ligou para Pacheco Tinoco e lhe enviou uma foto do carro.

Semanas depois, Fábio e o informante mexicano da DEA visitaram o general. O encontro foi gravado. “Queríamos vir aqui com algo ilegal. Entende?”, comentou o informante, depois da troca de cordialidades. “Claro, queremos apenas sua… sua autorização e consentimento”.

“Que tipo de trabalho?”, perguntou Pacheco Tinoco.

“Bem, queremos trabalhar com mercadorias, com drogas”.

O ministro da Segurança, advogado de formação, não caiu na armadilha absurdamente óbvia. “Não, não é muito”, disse Fabio para tranquilizá-lo. Pacheco Tinoco se desculpou e deixou o local.

Menos de seis meses depois, o então recém-eleito presidente Juan Orlando Hernández, também do Partido Nacional, nomeou o general Pacheco Tinoco para o Ministério da Segurança. Ele foi o primeiro militar na ativa a assumir esse cargo. A pedido da Embaixada dos EUA e devido a fortes protestos de grupos de direitos humanos, Pacheco teve de se aposentar do serviço militar.

Quando o testemunho de Maradiaga veio a público, Pacheco negou categoricamente as acusações “mal-intencionadas” e “sem fundamentos”. O traficante de drogas buscava garantir benefícios por parte dos EUA e prejudicar os esforços do governo hondurenho para combater o crime organizado, afirmou o ministro.

Em setembro, Fabio Lobo foi condenado a 24 anos de prisão. “Quero me desculpar com o governo dos Estados Unidos”, declarou ele. “E, especialmente, com meu pai, que não tem nada a ver com isso”. O atual presidente de Honduras, que disputava a reeleição no pleito do último domingo apesar das controvérsias, é outro que também tem parentes com problemas legais.

Maradiaga entregou à DEA a gravação de uma conversa com o deputado Tony Hernández, irmão do presidente Juan Orlando Hernández. Segundo o testemunho de Maradiaga, os dois discutiram a transferência de dinheiro público para uma empresa de fachada controlada pela Cachiros para pagar subornos.

No mês passado, as denúncias atingiram o próprio presidente. O New York Times publicou que Maradiaga havia entregado às autoridades norte-americanas outra gravação de 2013. Nela, um traficante afirma ter “feito pagamento de US$ 250 mil, a ser entregue a Juan Orlando Hernández”. Em resposta a um jornal local, o chefe de gabinete do presidente deu uma declaração que pode ser considerada como incrivelmente honesta ou inacreditavelmente ingênua:

“Se formos analisar como o crime organizado permeou a sociedade em geral e financiou deputados, juízes, gente no Ministério Público e de vários outros órgãos, então, segurem-se todos, pois não sobra ninguém”.

As revelações criminosas envolvendo autoridades de Honduras não impediram os EUA de manter o apoio ao governo do país. No início do ano, o chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, chamou Hernández de “um cara ótimo” e um “bom amigo”. Kelly foi chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, ligado ao Pentágono, na gestão de Barack Obama. Hernández disse a jornalistas que a relação dos EUA com Honduras “provavelmente está melhor do que nunca”.

Ansioso por melhorar sua imagem internacionalmente, o governo hondurenho iniciou uma reforma na Polícia com apoio financeiro dos EUA e de outros patrocinadores estrangeiros. Pelo menos 14 suspeitos de tráfico de drogas foram extraditados para os EUA.

Entretanto, o governo de Honduras parece ser bem seletivo quanto aos indivíduos quem devem ser entregues às autoridades norte-americanas. No mês passado, foi anunciado que Ramon Matta Waldurraga havia se entregado à DEA em agosto. Ele é filho de Ballesteros, o traficante hondurenho extraditado para os EUA em 1988.

Pacheco Tinoco disse à imprensa que o governo não tinha pedido de prisão nem de extradição para Matta Waldurraga, embora, mais tarde, os EUA tenham revelado um indiciamento de 2014 por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Assim como seu pai, Waldurraga pode comprometer militares e atores políticos de Honduras caso testemunhe.

Por isso, o governo hondurenho continua na defensiva.

Em 3 de março de 2016, Berta Cáceres, a ativista ambiental mundialmente conhecida, foi assassinada. Vários suspeitos foram presos, dentre eles pelo menos um militar hondurenho treinado nos Estados Unidos. Mais de um ano depois, os responsáveis por arquitetar o crime continuam livres.

Cáceres foi coordenadora geral do Conselho Nacional das Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh). Sob o comando de Cáceres, o Copinh iniciou uma batalha contra um enorme projeto hidrelétrico na zona rural do país. De acordo com o conselho, a empresa contrariou a lei e não consultou a população local.

A concessão para a construção da barragem foi dada durante o governo pós-golpe de 2010. A DESA, empresa responsável pela construção da represa, conta com os investidores mais ricos e poderosos de Honduras.

Impedidos de acessar a maior parte do inquérito sobre o assassinato e sem o respaldo de uma investigação independente, os parentes de Cáceres mobilizaram-se para que um grupo de advogados internacionais conduzisse investigações por conta própria. O relatório do Grupo Assessor Internacional de Pessoas Especialistas (GAIPE) foi divulgado no dia 31 de outubro, em Tegucigalpa.

O grupo analisou vários gigabytes de dados de celulares e de computadores de alguns dos envolvidos, ainda assim uma pequena parte do inquérito. O relatório conseguiu identificar mensagens de WhatsApp que sugerem uma conspiração bem orquestrada, que durou muitos meses, para assassinar Cáceres. O governo hondurenho ocultara provas por mais de um ano.

Os autores do relatório apresentaram as conclusões das investigações a integrantes do Congresso em Washington no início de novembro.

“Agora restam poucas dúvidas sobre as identidades de pelos menos alguns dos autores intelectuais que arquitetaram e pagaram pelo assassinato de Berta Cáceres”, declarou o senador Leahy, que também é um dos líderes democratas do Comitê de Apropriações do Senado, em nota oficial submetida ao Congresso. No entanto, acrescentou ele, “o Ministério Público falhou em tomar providências frente às provas apresentadas, talvez porque estas incriminem executivos da DESA relacionados a autoridades do governo hondurenho”.

A falta de transparência e disposição do governo de Honduras de investigar adequadamente o crime, coloca “em risco” a assistência continuada dos EUA, disse o senador.

Na época do assassinato, Pacheco Tinoco já era ministro da Segurança. Duas semanas após a divulgação do relatório, mais mensagens de WhatsApp foram vazadas. Supostamente são de Pacheco Tinoco, que não respondeu aos pedidos de resposta por parte de The Intercept.

Nas mensagens, o ministro reclama das medidas protetivas para os integrantes do Copinh e o custo disso para o governo, embora a grande maioria ainda tivesse que ser implementada. Pacheco Tinoco se referiu àqueles cujas vidas haviam sido ameaçadas como “bando de parasitas que usam a bandeira dos direitos humanos como guarida”.

“Isso prejudica a paz e a tranquilidade”, prosseguiu ele. “E prejudica os investimentos nacionais e internacionais”.

Nas próximas semanas, o Departamento de Estado dos EUA deve informar aos integrantes do Comitê de Apropriações do Congresso se considera que Honduras cumpriu com certas obrigações de combate à corrupção e ao tráfico de drogas, que são requisito para a maioria dos acordos de assistência.

No início de novembro, antes das mensagens de WhatsApps serem reveladas – e na mesma época da divulgação das descobertas da família de Cáceres –, Pacheco Tinoco voltou a passar por Washington.

Acompanhado de integrantes da comissão de reforma da Polícia Nacional, Pacheco Tinoco realizou reuniões com pessoas importantes do Departamento de Estado e autoridades estratégicas do Congresso americano. Em 2 de novembro, a delegação participou de um evento público oferecido pela fundação Woodrow Wilson Center, criada com ajuda do Congresso, no edifício Ronald Reagan, no centro de Washington.

No final do evento que durou duas horas, um participante na plateia, Christiam Sánchez, questionou Pacheco Tinoco sobre seu suposto envolvimento com o tráfico de drogas. O ministro “deveria apresentar seu pedido de renúncia e se mostrar à disposição das autoridades responsáveis pela investigação”,  declarou Sánchez no salão lotado. “Como é possível o senhor ainda fazer parte do processo de reforma da Polícia Nacional?” perguntou ele a Pacheco Tinoco.

“Eu estava servindo ao filho do ex-presidente”, disse o ministro, ao se explicar sobre o encontro com Fabio e o informante mexicano da DEA. “Se precisasse, faria tudo de novo”.

“Se eu fosse mesmo um ‘narco’, como acusa Christiam”, declarou para a multidão, “não estaria sentado aqui”.


Tradução: Flávia Villela