CEPR

5 de abril de 2017

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Washington, DC — As exorbitantes taxas de juros brasileiras continuam a ser um impeditivo para o crescimento econômico do país, observa um artigo atualizado do Center for Economic and Policy Research (Centro para Pesquisa Econômica e Política Pública, CEPR). Apesar dos cortes recentes, o Brasil ainda possui o quarto maior encargo com taxas de juros do mundo (dentre 183 países), com pagamentos de juros sobre a dívida pública estimados em 7,6 por cento do PIB, apesar do baixo risco de inadimplência ― diferentemente de países assolados por conflitos civis e outros fatores de risco. Com mais de US$360 bilhões em reservas internacionais, é improvável que o país enfrente uma crise no balanço de pagamentos que leve a uma disparada inflacionária.

“É extraordinário que o Banco Central Brasileiro mantenha taxas de juros tão altas mesmo em meio a uma recessão prolongada”, afirma o economista e co-diretor do CEPR, Mark Weisbrot.

A economia brasileira continua em recessão, tendo encolhido 3,8 por cento em 2015 e outros 3,6 por cento em 2016. Apesar da fraqueza econômica, o Banco Central começou a reduzir a taxa básica de juros somente no último trimestre ― em face a um acentuado colapso econômico ―, partindo de 14,25 por cento, nível que permaneceu desde meados de 2015 e que ainda expressa um enorme aperto monetário.

“Enquanto a taxa Selic nominal foi recentemente cortada, é importante notar que a taxa Selic real (ajustada pela inflação) é a mais alta para o período desde dezembro de 2008”, nota o artigo.

Mais de 46 por cento dos títulos públicos estão atrelados à taxa Selic, a taxa de juros básica definida pelo Banco Central Brasileiro e que há décadas se encontra entre as mais altas do mundo. Desde janeiro de 2003, a média da taxa Selic nominal foi 13,25 por cento e a taxa Selic real (ajustada pela inflação), 6,14 por cento.

Os maiores bancos brasileiros controlam atualmente mais de 70 por cento dos ativos do sistema de bancos comerciais. Os retornos seguros e garantidos dos títulos do governo — não apenas daqueles atrelados à Taxa Selic, mas também daqueles títulos que oferecem proteção contra inflação ou mudanças na taxa de câmbio — são uma fonte enorme de lucratividade para o setor financeiro brasileiro. Entre os anos de 2003 a 2015, os lucros dos quatro maiores bancos cresceu 460 por cento — de 5 bilhões de reais para mais de 28 bilhões de reais.

O artigo destaca: “Menores taxas de juros poderiam dar espaço fiscal para um estímulo econômico mais cabível, o qual poderia ajudar na recuperação econômica. Ao invés disso, o governo adotou a direção contrária, obtendo com êxito a passagem de uma emenda constitucional que mantém constante os gastos federais reais (ajustados à inflação) para os próximos 20 anos”.

“Elevadas taxas de juros continuam a limitar o conjunto de medidas disponíveis para o Brasil sair da recessão”, disse Weisbrot. “E considerando que o governo está comprometido com o caminho da austeridade, parece provável que a crise econômica vá prosseguir”.

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