Governo escolheu políticas que reduzem a demanda doméstica mesmo com a economia tendo espaço pra crescimento

3 de agosto de 2015

Contato: Dan Beeton, This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Washington, D.C. - Uma nova pesquisa do Centro para Pesquisa Econômica e Política examina as causas da recente desaceleração econômica do Brasil e descobre que as escolhas políticas tiveram um papel mais importante do que fatores externos. O trabalho mostra que a acentuada desacelaração que o Brasil tem passado desde 2011 é majoritariamente resultado de um declínio significativo na demanda doméstica resultado de escolhas políticas feitas pelo governo. Ele conclui que essa decisão de desaquecer a economia não era necessária pois não existia nenhum constrangimento externo, como problemas na balança de pagamentos, que obrigasse a isso.

"Ocorreram enormes ganhos econômicos e sociais desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o governo em 2003, reduzindo a pobreza (em 55%) e a extrema pobreza (em 65%), aumento do emprego, aumento da renda e alguma redução da desigualdade. No entanto, esses ganhos estão erodindo e estão seriamente ameaçados se o governo continuar nesse caminho atual" disse Mark Weisbrot Co-Diretor do CEPR.

A pesquisa, "Demanda agregada e a desaceleração do crescimento econômico brasileiro de 2011 a 2014" feita pelo Pesquisador Sênior Associado do CEPR Franklin Serrano e o economista Ricardo Summa, analisa em detalhes a acentuada desaceleração da economia brasileira nos anos 2011-2014, na qual o crescimento econômico foi em média 2,1% ao ano, comparado com os 4,4% no período 2004-2010. Os autores argumentam que a desaceleração foi majoritariamente resultado do acentuado declínio da demanda doméstica liderada pela política do governo e não por uma queda nas exportações ou por qualquer mudança nas condições financeiras externas.

A pesquisa mostra que a economia brasileira tinha espaço para crescer depois de 2010, mas o governo escolheu reduzir a demanda agregada através de mudanças nas políticas monetária, fiscal e macroprudencial. Essas incluem:

•    O Banco Central começou um ciclo de aumento de juros após fevereiro de 2010 que durou até agosto de 2011, elevando a taxa Selic de 7,5% para 13,5%. Aumento das taxas de juros e medidas macroprudenciais reduziram o crescimento do crédito, o que ajudou a terminar com o boom no consumo.

•    No final de 2010 o governo promoveu, através de uma acentuada redução no crescimento do gasto público, um forte ajuste fiscal para aumentar o superávit primário e alcançar a meta de 3,1% do PIB em 2011.

•    Em 2011 o investimento público, tanto do governo federal quanto das empresas públicas, caiu dramaticamente, diminuindo 17,9% e 7,8% em termos reais, respectivamente.

As políticas contracionárias do governo levaram a um nítido declínio no investimento privado também, assim o investimento total (público e privado) caiu dramaticamente.

A pesquisa explica que mesmo com a economia já desacelerando em 2010, se argumentou que o aperto fiscal era necessário para ter uma maior redução na taxa de juros. Taxa de juros menor, combinado com desonerações fiscais e outros incentivos para empresas, se esperava que isso permitisse ao setor privado liderar o crescimento estimulando o investimento privado e também o crescimento liderado pelas exportações já que a taxa de câmbio real depreciaria com a queda na taxa de juros. No entanto, como as politicas pró-cíclicas reduziram a demanda agregada, o investimento privado despencou; e por razões explicadas na pesquisa, o crescimento liderado pelas exportações também não ocorreu.

"Fica claro pelos dados que o esforço para convencer o setor privado para liderar o crescimento econômico, enquanto corta investimento público e toma outras medidas que reduzem a demanda agregada, não funcionaram no Brasil," diz Weisbrot. "O governo necessita urgentemente implementar medidas anti-cíclicas para trazer de volta a recuperação econômica."

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(Traduzido por Iuri Faria Codas.)