3 de maio de 2019

Esse ano pode ser muito pior se as sanções continuarem, afirmam os autores

Contato: Dan Beeton, This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Washington, DC ― Um novo documento do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Center for Economic and Policy Research, CEPR), dos economistas Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, determinou que as sanções econômicas implementadas pelo governo Trump desde agosto de 2017 causaram dezenas de milhares de mortes e estão agravando rapidamente a crise humanitária.

"As sanções estão privando os venezuelanos de medicamentos que salvam vidas, equipamentos médicos, alimentos e outras importações essenciais", disse Mark Weisbrot, codiretor do CEPR e coautor do relatório. “Isso é ilegal sob a legislação dos EUA, leis internacionais e tratados assinados pelos EUA. O Congresso deve agir para parar isso".

O documento observa que o reconhecimento, pela administração Trump, de um governo paralelo em janeiro criou um novo conjunto de sanções financeiras e comerciais que são devastadoras para a economia e para a população. Essas novas restrições dificultam ainda mais o pagamento de remédios e outras importações essenciais, com o limitado intercâmbio internacional disponível.

Os autores também explicam como as sanções impedem uma recuperação econômica da grave depressão econômica e da hiperinflação do país.

"A crise econômica da Venezuela é rotineiramente atribuída somente à Venezuela", disse Jeffrey Sachs, coautor do documento. "Mas é muito mais do que isso. As sanções americanas visam deliberadamente destruir a economia da Venezuela e, assim, levar à mudança de regime. É uma política infrutífera, sem coração, ilegal e falida, causando graves danos ao povo venezuelano”.

Entre os resultados das amplas sanções econômicas implementadas pela administração Trump desde agosto de 2017 estão:

●      Estima-se que mais de 40.000 mortes de 2017 a 2018;

●      As sanções reduziram a disponibilidade de alimentos e medicamentos, e aumentaram as doenças e a mortalidade;

●      As sanções de agosto de 2017 contribuíram para um declínio acentuado na produção de petróleo, o que causou grande dano à população civil;

●      Se continuarem, as sanções dos EUA implementadas desde janeiro quase certamente resultarão em dezenas de milhares de mortes evitáveis;

●      Isto é baseado na estimativa de cerca de 80.000 pessoas com HIV que não receberam tratamento anti-retroviral desde 2017, 16.000 pessoas que necessitam de diálise, 16.000 pessoas com câncer e 4 milhões com diabetes e hipertensão (muitas das quais não podem obter insulina ou medicamentos cardiovasculares);

●      Desde as sanções que começaram em janeiro de 2019, a produção de petróleo caiu em 431.000 barris por dia ou 36,4%. Isso acelerará enormemente a crise humanitária, mas o projetado declínio de 67% na produção de petróleo para o ano, se as sanções continuarem, causaria muito mais perda de vidas humanas.

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